Um Convite Surpreendente
Era uma tarde tranquila quando Ana recebeu uma mensagem inesperada. O celular vibrou em sua mão, e ela abriu o aplicativo de mensagens para ler:
"Oi, Ana! Tudo bem? Espero que sim! Lembrei que você ama café e livros. Que tal tomarmos um café e conversarmos sobre aquele clube do livro que você mencionou outro dia? Ah, e fique tranquila, é por minha conta. 😊 Abraços, Lucas."Ana sorriu. A linguagem casual e o emoji no final da mensagem deixavam claro que Lucas era alguém próximo, provavelmente um amigo. Além disso, o convite refletia interesse e preocupação com os gostos dela.
No entanto, no mesmo dia, Ana também recebeu outro convite, dessa vez por e-mail:
"Prezada Srta. Ana,Venho, por meio deste, convidá-la para participar de uma palestra sobre literatura contemporânea, que ocorrerá no próximo sábado, às 14h, na Biblioteca Central. Teremos o prazer de contar com sua presença, pois acreditamos que sua experiência enriquecerá o evento.Atenciosamente,Mariana Silva. Organizadora do Evento"Aqui, a linguagem formal, o uso de pronomes de tratamento como "Prezada Srta." e o tom respeitoso demonstravam que o interlocutor era alguém em um contexto profissional ou acadêmico. Ambos os convites revelavam muito sobre os locutores e seus interlocutores. A escolha de palavras, o tom e os detalhes do contexto forneciam pistas claras sobre quem falava e para quem a mensagem era direcionada.
Com base no texto, identifique as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de cada mensagem.
Questão 1. Qual alternativa descreve corretamente as marcas linguísticas e o contexto de cada mensagem?
A) A primeira mensagem usa linguagem formal e é destinada a um interlocutor desconhecido, enquanto a segunda utiliza linguagem informal, direcionada a um amigo próximo.
B) A primeira mensagem utiliza uma linguagem informal e expressa proximidade, enquanto a segunda usa linguagem formal, adequada a um contexto profissional.
C) Ambas as mensagens utilizam linguagem informal, mas se diferenciam no tom e no objetivo.
D) Ambas as mensagens utilizam linguagem formal, mas têm interlocutores com níveis de escolaridade diferentes.
✅ Gabarito: Letra B
Mensagem 1 (Lucas → Ana)
Marcas linguísticas que revelam o locutor e o interlocutor:
Linguagem informal.
Uso de saudação coloquial: “Oi, Ana!”
Uso de emoji: 😊
Referências pessoais (“lembrei que você ama café e livros”) mostrando proximidade e intimidade.
Tom leve, quase um convite caminhando de mãos dadas com o afeto.
Essas marcas revelam:
Locutor: Lucas, alguém próximo.
Interlocutora: Ana, amiga ou pessoa íntima.
Mensagem 2 (Mariana Silva → Ana)
Marcas linguísticas evidentes:
Linguagem formal.
Uso de pronome de tratamento: “Prezada Srta. Ana”.
Estrutura clássica de comunicação profissional (“Venho, por meio deste…”)
Assinatura com nome completo e função (“Organizadora do Evento”).
Ausência de marcas emocionais ou pessoais.
Isso indica:
Locutora: Mariana Silva, figura institucional.
Interlocutora: Ana, tratada de forma respeitosa e distante, em um contexto acadêmico/profissional.
✅ Por que a alternativa B é correta?
Porque descreve exatamente isso:
1ª mensagem: linguagem informal, proximidade.
2ª mensagem: linguagem formal, contexto profissional.
As demais alternativas contradizem diretamente as marcas linguísticas presentes.
Pressa
Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela alguém me conta no corredor. Escolho os filmes que eu não vejo no elevador.
Pelas estrelas que eu encontro na crítica do leitor
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa.
Mas nada tanto assim.
Eu me concentro em apostilas coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial conheço quase o mundo inteiro por cartão-postal
Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
mas nada tanto assim.
Bruno & Leoni Fortunato. Greatest Hits’80. WEA.
É possível identificar a presença da linguagem informal no trecho
A) “E o que acontece na novela/alguém me conta no corredor”.
B) “Escolho os filmes que eu não/vejo no elevador”.
C) “Leio os roteiros de viagem/enquanto rola o comercial”.
D) “Conheço quase o mundo inteiro/por cartão-postal”.
Gabarito: Letra C
A alternativa C) apresenta uma marca clara de linguagem informal:
A expressão “enquanto rola o comercial” contém o verbo rolar usado em sentido coloquial, típico da oralidade e da informalidade.
Nas demais alternativas:
A) Não apresenta marcas de informalidade; trata-se de uma construção comum e neutra.
B) Estrutura padrão, sem elementos coloquiais.
D) Também é neutra, sem marcas de oralidade ou registro informal.
Portanto, a linguagem informal está evidente na alternativa C.
Questão 3. Observe a imagem abaixo.
A fala do homem causa estranhamento ao outro surfista
A) devido ao uso excessivo de palavras estrangeiras.
B) pelo uso da linguagem formal, inadequada à situação.
C) por conta de sua maneira grosseira e indelicada de falar.
D) por ser uma linguagem informal, cheia de gírias.
Gabarito: Letra B
Na cena, o homem de terno fala com o surfista usando uma linguagem excessivamente formal, cheia de termos rebuscados e construções pouco naturais para aquele contexto:
“belos movimentos elípticos”
“meu caro amigo”
“pega-las-emos”
“nesse instante ou mais tardiamente?”
A situação é totalmente informal (uma praia, dois surfistas), mas a fala parece saída de um manual acadêmico. Essa inadequação entre registro e contexto gera o estranhamento humorístico do cartum.
Por isso, a alternativa correta é B).
Questão 4. Leia o texto a seguir.
Lorelai:
Era tão bom quando eu morava lá na roça. A casa tinha um quintal com milhões de coisas, tinha até um galinheiro. Eu conversava com tudo quanto era galinha, cachorro, gato, lagartixa, eu conversava com tanta gente que você nem imagina, Lorelai. Tinha árvore para subir, rio passando no fundo, tinha cada esconderijo tão bom que a gente podia ficar escondida a vida toda que ninguém achava. Meu pai e minha mãe viviam rindo, andavam de mão dada, era uma coisa muito legal da gente ver. Agora, tá tudo diferente: eles vivem de cara fechada, brigam à toa, discutem por qualquer coisa. E depois, toca todo mundo a ficar emburrando. Outro dia eu perguntei: o que é que tá acontecendo que toda hora tem briga? Sabe o que é que eles falaram? Que não era assunto para criança. E o pior é que esse negócio de emburramento em casa me dá uma aflição danada. Eu queria tanto achar um jeito de não dar mais bola pra briga e pra cara amarrada. Será que você não acha um jeito pra mim?
Um beijo da Raquel. […]
NUNES, Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela – 31ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1998
O texto acima foi escrito em linguagem informal, como pode ser comprovado pelo uso da palavra
A) aflição.
B) emburramento
C) esconderijo.
D) galinheiro
Gabarito: Letra B
A linguagem do texto é marcada pela oralidade e por termos coloquiais. Entre as palavras apresentadas:
“aflição”, “esconderijo” e “galinheiro” são vocábulos neutros, de uso comum tanto em registros formais quanto informais.
“emburramento” é uma palavra claramente coloquial, típica da fala espontânea, expressando o ato de “ficar emburrado”, “ficar de mau humor”, própria da informalidade.
Portanto, a alternativa correta é B) emburramento.
Questão 5. Leia o texto abaixo.
Poema
Oh! Aquele menininho que dizia
“Fessora, eu posso ir lá fora?”
Mas apenas ficava um momento
Bebendo o vento azul…
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
Somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo…
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.
QUINTANA, Mário.
(TSA) A palavra “Fessora” é um exemplo de linguagem:
A) culta.
B) científica.
C) informal.
D) padrão.
Gabarito: Letra C
A palavra “Fessora” representa a pronúncia infantil e coloquial de “professora”. Trata-se de:
marca de oralidade
registro espontâneo
linguagem informal, típica da fala cotidiana, especialmente de crianças
Por isso, a opção correta é C) informal.
Questão 6. Leia os textos.
TEXTO I
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904
Meu caro Nabuco,
Tão longe, em outro meio, chegou-lhe a notícia da minha grande desgraça, e você expressou logo a sua simpatia por um telegrama. Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei muito tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará. Não posso, meu caro amigo, responder agora à sua carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do falecimento de minha mulher, e você compreende que apenas posso falar deste fundo golpe. Aceite este abraço do triste amigo velho.
Machado de Assis
TEXTO II
Fonte: SOARES, N. Falecimento. 12 de out. 2019.
A principal variação linguística que diferencia os textos I e II é a variação
A) geográfica, pois cada texto apresenta uma forma regional da Língua Portuguesa, mostrando que os autores são de lugares diferentes do Brasil.
B) histórica, pois os textos apresentam formas antigas e atuais da Língua Portuguesa.
C) situacional, pois os textos apresentam situações comunicativas diferentes, nas quais os interlocutores não têm o mesmo grau de proximidade.
D) social, pois cada foi escrito por pessoas de classes sociais diferentes.
Gabarito: Letra B
A diferença mais evidente entre os dois textos está na variação histórica da língua.
Por que é variação histórica?
Texto I foi escrito em 1904, apresenta:
estrutura sintática mais longa
vocabulário formal típico da época
marcas de escrita do início do século XX (“aqui me fico”, “do triste amigo velho”)
Texto II é contemporâneo e traz:
escrita típica de mensagens digitais
abreviações e marcas de imediaticidade
ausência de pontuação padrão
elementos próprios da comunicação informal (bjs, cabeça a 1000, etc.)
Essas diferenças refletem mudanças na língua ao longo do tempo.
Por que as outras estão incorretas?
A) Geográfica: não há marcas regionais suficientes.
C) Situacional: existe diferença de situação, mas não é a principal; o fator mais forte é o tempo histórico.
D) Social: não há elementos para afirmar diferença de classe social entre os autores.
✅ Portanto, a alternativa correta é B.
Questão 7. Em relação à variedade linguística, é possível afirmar que o texto utiliza a linguagem
A) artificial, própria dos meios de comunicação digital.
B) formal, adequada ao conteúdo da mensagem.
C) informal, apropriada ao contexto comunicativo no qual foi produzido.
D) regional, típica do ambiente no qual foi produzido.
Gabarito: Letra C
A pergunta se refere ao Texto II, que apresenta:
abreviações e expressões coloquiais (“bjs”, “cabeça está a 1000”)
ausência de pontuação padrão
estrutura típica de mensagem de WhatsApp
tom íntimo, emocional e espontâneo
Trata-se, portanto, de linguagem informal, plenamente adequada ao contexto comunicativo: uma mensagem pessoal enviada por meio digital em um momento de emoção.
As demais alternativas:
A) “Linguagem artificial” não é o caso.
B) Não é formal.
D) Não apresenta marcas regionais.
✅ Por isso, a correta é C.
Questão 8. Leia a tinha a seguir e responda à questão.
A expressão “Me disseram”, no início do terceiro quadrinho, é um exemplo de linguagem
A) formal.
B) regional.
C) informal.
D) padrão.
Gabarito: Letra C
A expressão “Me disseram” é típica da linguagem informal, pois apresenta:
estrutura direta e coloquial
ausência de marcas de formalidade
uso comum na oralidade cotidiana
construção reduzida em relação à forma mais formal “Disseram-me”
Não há traços regionais nem registro formal.
✅ Portanto, a alternativa correta é C) informal.
Questão 9. Leia e resolva.
MIAU, MIAU, MIAU
Contaram-me esta fábula moderna, que achei “pra lá de ótima”. Com a devida licença, conto para vocês. Mas vou logo explicando que o amigo que me contou essa história, não se lembra quem lhe contou, e que não inventei nada, vou escrevê-la da maneira que ouvi.
O ratinho na toca e do lado de fora o gato:
— Miau, miau, miau…
O tempo passava e do lado de fora o gato continuava:
— Miau, miau, miau…
Depois de passadas muitas horas e já com muita fome o rato ouviu:
— Au! Au! Au!
Então deduziu: “Se tem cachorro lá fora, o gato foi embora”. Mal terminou sua dedução, saiu disparado em busca de comida.
Nem bem saiu da toca, o gato, Crau!
Inconformado, já na boca do gato, perguntou:
— Pô gato! Que sacanagem e essa????
E o gato respondeu:
— Meu filho, hoje, nesse mundo “globalizado”, quem não fala, pelo menos, dois idiomas… morre de fome.
Ricardo Sérgio. Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/fabulas/4323748
Na expressão: “— Pô gato! Que sacanagem e essa????”, há uma linguagem
A) regional.
B) com gíria.
C) com jargão.
D) caipira.
Gabarito: Letra B
Na fala “Pô gato! Que sacanagem é essa????”, encontramos marcas claras de gíria e informalidade:
“Pô”: interjeição coloquial, típica da fala espontânea.
“Sacanagem”: vocábulo gírio, de uso coloquial e informal.
Não há marcas:
regionais (A)
jargão técnico ou profissional (C)
fala caipira (D)
✅ Por isso, a alternativa correta é B) com gíria.
Questão 10. Leia e responda:
Na fala de Armandinho “…por que você trouxe isso pra casa?”, a palavra grifada é um exemplo de linguagem
A) coloquial.
B) caipira.
C) regional.
D) formal.
Gabarito: Letra A
A palavra grifada “pra” é uma redução de “para”, típica da linguagem coloquial, usada na fala cotidiana e espontânea.
Não é regional (não identifica área específica).
Não é caipira (não apresenta marcas fonéticas do dialeto caipira).
Não é formal, já que a forma formal seria “para”.
✅ Portanto, trata-se de linguagem coloquial.




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